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Segunda Guerra

Como visitar o Memorial do Campo de Concentração de Dachau: guia completo

O Memorial do Campo de Concentração de Dachau, em alemão KZ-Gedenkstätte Dachau, situado na pequena cidade de Dachau, ao norte de Munique, Baviera, Alemanha, é antes de tudo um local de memória e luto. É um espaço de reflexão profunda sobre a crueldade humana e a perda irreparável de vidas durante o regime nazista.

Localizado há aproximadamente 20 quilômetros a noroeste do centro de Munique, o memorial ocupa o terreno do primeiro campo de concentração nazista, onde o regime nazista (1933-1945) implementou um modelo que serviu de protótipo para outros campos. Por mais de uma década, Dachau serviu de instrumento de opressão sistemática contra opositores políticos, minorias religiosas e grupos perseguidos.

Ao planejar uma visita ao Memorial do Campo de Concentração de Dachau, é fundamental ter em mente que se trata de uma experiência emocionalmente pesada, que pode desafiar pessoas de todas as idades pelo seu conteúdo e pela constante lembrança das vidas destruídas. A visita exige respeito, silêncio e preparação emocional, pois confronta diretamente o visitante com memórias de sofrimento e genocídio.

O memorial hoje: um lugar de lembrança, educação e reflexão

O Memorial do Campo de Concentração de Dachau é, atualmente, um lugar de memória e educação histórica erguido no terreno do antigo campo de concentração nazista. O espaço preserva partes do local original, como trechos de muros, estruturas recuperadas e áreas de exposição, e apresenta um acervo documental que contextualiza tanto a história do campo quanto os destinos dos prisioneiros.

O memorial que existe hoje foi estabelecido décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, em grande parte por iniciativa dos próprios sobreviventes do campo. Em 1955, ex‑prisioneiros juntaram‑se para formar o Comité International de Dachau (CID) e, junto com apoio da administração da Baviera, promoveram a preservação do terreno e a criação de um espaço de lembrança permanente.

Em 1965 foi inaugurada a primeira exposição documental no local. Além das exposições e das áreas preservadas, o espaço hoje inclui vários memoriais religiosos e civis erigidos ao longo das décadas, como a Capela Carmelitana e o Monumento Internacional de 1968, dedicado às vítimas de todas as nacionalidades e simbolizando a solidariedade internacional contra o esquecimento dos crimes nazistas.

Porta de entrada para o Campo de Concentração de Dachau

Dachau: a história do primeiro campo de concentração nazista

O campo de concentração de Dachau foi estabelecido em 22 de março de 1933, apenas algumas semanas após Adolf Hitler assumir o poder, como o primeiro campo de concentração regular do regime nazista. Inicialmente criado para detentos políticos, Dachau também passou a receber membros de outros grupos perseguidos, incluindo judeus, homossexuais e Testemunhas de Jeová.

A administração e organização do campo, idealizadas pelo comandante Theodor Eicke, foram usadas como modelo administrativo e estrutural para todos os campos de concentração subsequentes sob o controle da SS. O que fez de Dachau o modelo escolhido para o sistema de campos que se espalharia pela Europa ocupada.

Ao longo dos quase doze anos em operação, mais de 200 000 prisioneiros foram registrados em Dachau, de mais de 30 países diferentes. Estimativas acadêmicas apontam pelo menos 40 000 mortes em Dachau, embora o número real de vítimas seja difícil de quantificar com exatidão, devido aos registros incompletos e às mortes ocorridas em sub‑campos e marchas forçadas nas fases finais da guerra.

Em 29 de abril de 1945, tropas dos Estados Unidos libertaram o campo, encontrando milhares de sobreviventes em condições críticas. Até hoje, a memória de Dachau permanece como símbolo das práticas de perseguição sistemática e como mensagem de alerta contra o totalitarismo, permanece central nas exposições e memoriais que hoje ocupam o local. Esta localidade é um dos pontos principais do nosso tour de Segunda Guerra na Alemanha.

Como chegar a Dachau saindo de Munique

Usar o transporte público em munique é a forma mais recomendada para visitar Dachau, combinando trem suburbano S‑Bahn e ônibus local. Para uma jornada eficiente, siga este trajeto:

  • Trem S-Bahn: A partir da estação central de Munique (Hauptbahnhof), embarque na linha S2 em direção a Dachau/Petershausen.
  • Conexão de Ônibus: Ao chegar na estação de Dachau, siga para o terminal de ônibus logo em frente à saída principal. Pegue o ônibus número 726 em direção ao Saubachsiedlung.
  • Desembarque: O ônibus para exatamente junto à entrada principal do memorial.
  • Tempo estimado: O deslocamento total varia de 50 a 60 minutos. Recomenda-se sair cedo para visitar o memorial com a calma necessária.

Ao planejar o dia, vale considerar também o tipo de bilhete de transporte. O site oficial do memorial recomenda o day ticket Munich‑M1, que cobre a linha S2 desde Munique até Dachau e o ônibus 726 de ida e volta, além de permitir uso ilimitado de outros modais na área.

Como planejar o tempo de visita ao memorial em Dachau

A visita a Dachau deve ser feita com calma. O recomendado é reservar de 3 a 5 horas para conhecer o local. Dachau é um espaço extenso de reflexão, exposição e memória que demanda tempo, atenção e pausas para compreensão.

Segundo o próprio site oficial do memorial, a maior parte dos visitantes dedica pelo menos meio dia ao local para absorver plenamente o conteúdo histórico apresentado. As visitas guiadas padrão oferecidas no memorial têm cerca de duas horas e meia de duração, mas muitos visitantes optam por complementar essas visitas com leitura dos painéis e momentos de contemplação individual.

A visita ao antigo campo de concentração requer que o visitante respeite seu ritmo pessoal de absorção emocional e intelectual. Reserve tempo adequado para absorver as informações da exposição principal, que apresenta uma extensa documentação, seguindo uma linha do tempo do campo e das políticas nazistas da munique do terceiro reich.

Principais espaços a visitar no memorial: roteiro sugerido

O Memorial do Campo de Concentração de Dachau combina espaços de memorialização com exposições históricas cuidadosamente curadas. A seguir, apresentamos uma sugestão de roteiro, que segue uma sequência que ajuda o visitante a compreender o contexto histórico e a refletir sobre o que observou.

Comece pelo Centro de Visitantes e siga para a exposição principal

Ao chegar ao memorial, o primeiro passo recomendado é conhecer o Centro de Visitantes, onde você pode obter mapas, brochuras informativas e, se desejar, alugar um áudio‑guia em vários idiomas. No centro também é possível obter informações sobre visitas guiadas, caso o visitante prefira.

Então, você pode seguir para a exposição principal, localizada no antigo edifício de manutenção, o Former Maintenance Building. Essa exposição é uma das partes mais densas e importantes da visita. Chamada de Path of the Prisoners (Caminho dos Prisioneiros), ela apresenta a história cronológica do campo por meio de fotografias, relatos de sobreviventes, objetos, documentos e painéis explicativos em várias salas.

Conheça o pátio central e visite as barracas reconstruídas 

Após sair da exposição principal, a caminhada segue para o pátio central do campo, conhecido como Appellplatz (praça de chamada), que se situa no eixo principal do terreno. Este espaço era historicamente utilizado para formações regimentadas, contagem de prisioneiros e avisos ou ordens forçadas, refletindo a disciplina rígida e a rotina brutal imposta pelo regime.

Ao longo do caminho que sai do Appellplatz, você encontrará a área onde as barracas estavam distribuídas ao longo da chamada camp road, o eixo que conectava os espaços internos do campo. Hoje, duas dessas barracas foram reconstruídas e adaptadas para abrigar exposições que ilustram as condições de vida dos prisioneiros, com réplicas de beliches, instalações sanitárias e painéis explicativos.

Nesse espaço, os contornos demarcados das barracas e as exposições montadas proporcionam aos visitantes uma visão mais concreta da arquitetura do campo e das condições que os prisioneiros enfrentavam diariamente.

A prisão do campo, com exposição específicas, e o antigo crematório

Se o visitante desejar, também pode incluir em seu roteiro uma visita à área da antiga prisão do campo, onde prisioneiros considerados problemáticos pelo regime eram isolados e, muitas vezes, submetidos a punições adicionais. Aqui é possível conhecer exposições específicas com detalhes sobre punições aplicadas e a estrutura interna da prisão.

Essa visita pode ser encaixada facilmente após a caminhada pelos espaços exteriores e barracões, sem alongar excessivamente o roteiro. Pois, a área fica próxima há outros pontos principais, e 15 a 30 minutos são suficientes para conhecer o setor sem correria.

Fornos crematórios no Campo de Concentração de Dachau, na Alemanha. 

Após encerrar a visita na prisão, você pode seguir para o antigo crematório, um dos locais mais sensíveis e carregados de significado em Dachau, onde o visitante é convidado a ficar em silêncio e demonstrar respeito. Afinal, se trata de um espaço diretamente ligado ao sofrimento e à morte de milhares de prisioneiros. 

O memorial oficial informa que a última entrada permitida nessa área é por volta das 16h30, antes do fechamento geral do memorial às 17h, para garantir que todos possam circular com calma.

As regras de conduta para visitar o memorial em Dachau

O memorial de Dachau é oficialmente definido como um local de memória, luto e educação histórica, e espera-se dos visitantes uma postura compatível com esse caráter. A instituição responsável pelo espaço orienta que o comportamento no local seja semelhante ao adotado em cemitérios, com silêncio, atenção ao ambiente e respeito à experiência emocional de outras pessoas.

É recomendado evitar conversas em tom alto e qualquer atitude que possa ser entendida como desrespeitosa. Além disso, recomenda-se o uso de roupas discretas, confortáveis e adequadas ao contexto de luto e memória. Dachau não é uma atração turística convencional, mas um ambiente dedicado à lembrança das vítimas e à aprendizagem histórica. 

Fotos são geralmente permitidas para fins pessoais em áreas externas e em partes das exposições, desde que realizadas com discrição e respeito, evitando posses, encenações e comportamento inadequado. Os visitantes devem evitar perturbar outras pessoas e preservar a dignidade do espaço. Já filmagens comerciais, uso de drones e registros em determinadas áreas, como o antigo crematório, são proibidos.

Informações essenciais para planejar a visita ao memorial de Dachau

É importante planejar sua visita com atenção. Afinal, detalhes como horários, serviços disponíveis e acessibilidade fazem diferença para quem deseja dedicar tempo adequado à reflexão, sem imprevistos logísticos.

  • Horário de funcionamento: O memorial abre diariamente das 09:00 às 17:00 (fecha em 24 de dezembro).
  • Entrada gratuita: O acesso não exige pagamento de ingresso, reforçando seu caráter educativo.
  • Acessibilidade: O memorial oferece rampas e empréstimo de cadeiras de rodas para terrenos com brita.
  • Visitas com menores: Recomenda-se idade mínima de 13 anos. Menores podem ter dificuldade em processar o impacto visual e emocional do conteúdo.

O memorial oferece medidas de inclusão, como rampas nos principais edifícios e empréstimo de cadeiras de rodas e dispositivos elétricos para auxiliar em terrenos com brita, uma característica histórica preservada do local. 

Embora haja esforços para tornar o espaço acessível, algumas áreas podem apresentar limitações devido às normas de conservação histórica. Banheiros acessíveis e caminhos adaptados também estão disponíveis em diferentes pontos do complexo. 

Visitas com crianças e adolescentes: o que considerar?

É recomendado ter cautela ao planejar visitas com crianças e adolescentes, pois o conteúdo histórico e visual pode ser emocionalmente intenso e difícil de compreender em idades mais baixas. Todos os programas de educação são destinados a visitantes com 13 anos ou mais, justamente porque a experiência exige maturidade emocional e algum conhecimento prévio sobre o nazismo.

Não há uma proibição absoluta para a entrada de crianças de adolescentes, mas para as famílias a recomendação geral é avaliar a idade, o preparo emocional e o contexto educativo do jovem antes da visita. Pois, menores de 13 anos podem ter dificuldade em lidar com fotografias, relatos e espaços históricos associados ao sofrimento humano, sendo essencial a presença e a mediação dos pais ou responsáveis durante todo o percurso.

Viaje com Viagem Alemanha e guias brasileiros

Planejar uma visita a um lugar de memória exige organização e sensibilidade. Para quem prefere viajar com estrutura e acompanhamento em português, oferecemos roteiros personalizados e privativos na Alemanha, além de passeios guiados com guias brasileiros e suporte durante a viagem.

Ao organizar a viagem com antecedência e com orientação adequada, o visitante consegue equilibrar deslocamentos, momentos de reflexão e experiências culturais relevantes. Conte conosco para que sua viagem seja tranquila, sem problemas logísticos, com a tranquilidade necessária para absorver as informações históricas do memorial de Dachau.

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