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Berlim

Portão de Brandemburgo e Reichstag: o que ver em Berlim

Portão de Brandemburgo ao amanhecer, em Berlim

Dois pontos turísticos de Berlim concentram, a menos de quinhentos metros um do outro, o arco inteiro da história alemã moderna: o Portão de Brandemburgo, construído no século XVIII como portal da capital prussiana, e o Reichstag, sede do parlamento reunificado com uma cúpula de vidro que você pode visitar gratuitamente. Quem entende a relação entre os dois sai da cidade com uma leitura diferente da Alemanha inteira. O Portão e o Reichstag não são monumentos paralelos: são os dois extremos de um eixo onde o país se reescreveu, da monarquia prussiana ao Terceiro Reich, da divisão à reunificação. Visitar um sem o outro significa perder a conversa que eles têm entre si.

Vale a pena entrar no Reichstag? Sim, e vamos explicar por que a cúpula de vidro entrega mais do que parece de fora. Mas o ganho real é outro: entender como esses dois edifícios se olham, a cerca de quinhentos metros um do outro, e o que esse encontro visual diz sobre a Berlim que existe hoje.

Por que estes dois lugares contam a Alemanha

Há uma lógica espacial em Berlim que a maioria dos visitantes não percebe de imediato. O Portão de Brandemburgo foi erguido entre 1788 e 1791, com projeto de Carl Gotthard Langhans, arquiteto da corte prussiana, como portal de entrada da capital. A Quadriga no topo, a biga puxada por quatro cavalos e conduzida por Victoria, a deusa da vitória, já anunciava que o poder era o tema. O Reichstag, construído cerca de um século depois a poucos metros dali, foi o edifício onde a república alemã tentou existir, falhou, ardeu em 1933 num incêndio que serviu de pretexto para o fim da democracia, sobreviveu à guerra em ruínas, ficou abandonado por décadas do lado ocidental do Muro e foi reconstruído nos anos 1990 como sede do parlamento reunificado.

O Muro de Berlim passou entre os dois. O Portão ficou em terra de ninguém por vinte e oito anos, de 1961 a 1989. O Reichstag ficou do lado oeste, olhando para o Leste sem que ninguém pudesse passar.

Em 1989, as primeiras pessoas que comemoraram a queda do Muro dançaram em cima dele exatamente ao lado do Portão. Mas o parlamento só voltaria para o Reichstag por muito pouco: em 1991, o Bundestag decidiu transferir capital e governo de Bonn de volta para Berlim por 338 votos a 320. Dezoito votos mudaram o mapa do poder alemão. Em 1999, os deputados finalmente tomaram assento no prédio reconstruído, com uma cúpula de vidro projetada por Norman Foster sobre o plenário histórico, transparência literal sobre o lugar onde a transparência havia sido destruída. Esse é o eixo. É por isso que estes dois pontos turísticos de Berlim merecem mais do que uma foto rápida.

O Portão de Brandemburgo (e o que ver ao redor)

Memorial aos Judeus Mortos da Europa, perto do Portão de Brandemburgo

O arenito é mais claro do que as fotos sugerem. Na luz da manhã cedo, antes das 9h, o Portão reflete um amarelo suave que desaparece quando o sol sobe e os grupos chegam. É a versão do monumento que vale acordar cedo para ver.

A estrutura tem doze colunas dóricas e cinco passagens. A central era reservada, por tradição, para a família real. Hoje qualquer pessoa passa por ali, o que é, em si, uma afirmação política silenciosa. A Pariser Platz ao redor foi inteiramente destruída na guerra e reconstruída nos anos 1990 e 2000. A embaixada americana, a Academia de Artes e o Hotel Adlon ficam nessa praça, cada um com sua própria camada de história.

Diante do Portão, há duas histórias que sempre contamos. A da Quadriga, a carruagem de bronze no topo, que já foi de um lado para o outro: Napoleão a levou como troféu para Paris, e ela só voltou anos depois. E a da Prússia, para situar a cidade: Berlim é uma capital relativamente nova perto do resto da Alemanha, e foram os Junkers, a aristocracia rural prussiana, que ajudaram a criar o mito de uma Alemanha feita para a guerra. Sem essa moldura, o Portão é uma foto bonita; com ela, é o começo de uma história que termina ali ao lado, no Reichstag.

A duzentos metros ao sul fica o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, projetado por Peter Eisenman e aberto em 2005: 2.711 blocos de concreto cinza em tamanhos diferentes, num campo que se inclina e afunda conforme você avança. Não é um lugar alegre, mas é um lugar necessário, e faz parte do mesmo eixo de memória que começa no Portão. Reservamos pelo menos quarenta minutos para essa visita dentro do nosso roteiro.

Do lado norte, o Tiergarten começa logo atrás do Portão. É o pulmão verde de Berlim, um parque que já foi floresta de caça da realeza prussiana, foi derrubado para virar lenha no inverno de 1945 pelos berlinenses famintos e foi replantado inteiramente depois. O que aconteceu com esse parque diz muito sobre o que a cidade sobreviveu.

A Sala do Silêncio (Andachtsraum)

Dentro do próprio Portão, do lado norte, existe a Room of Silence (Raum der Stille), uma pequena sala de reflexão não confessional, aberta todos os dias das 11h às 18h no verão e até as 17h no inverno, sem ingresso nem reserva. Fotos não são permitidas lá dentro. É um daqueles cantos que a maioria passa sem ver.

O Reichstag e a cúpula de vidro

O Reichstag e a cúpula de vidro de Norman Foster, em Berlim

De fora, o Reichstag impressiona pela escala mais do que pela elegância. A fachada neoclássica traz a inscrição “Dem Deutschen Volke” (“Ao povo alemão”) gravada sobre a entrada, colocada ali em 1916 contra a vontade do Kaiser Guilherme II, que achava que o povo não merecia essa dedicatória. Detalhe que diz muito.

A cúpula de vidro de Foster, adicionada na reforma concluída em 1999, é outra coisa completamente. Por dentro, uma rampa em espiral dupla sobe pela borda interna enquanto um cone de espelhos no centro reflete luz natural para o plenário abaixo. Você pode ver os deputados trabalhando lá embaixo, através do vidro do chão da cúpula. A simbologia é direta: o povo acima do parlamento, observando. Em alemão chamam isso de Transparenz, e o conceito foi deliberado na escolha arquitetônica.

E dentro do Reichstag há um detalhe que quase ninguém nota: nas paredes internas, os grafites em cirílico que soldados do Exército Vermelho deixaram ao tomar o prédio em 1945. Norman Foster os preservou de propósito na reforma. Na visita guiada que organizamos, é uma das coisas que apontamos, porque conta a história do prédio melhor do que qualquer placa.

Duas coisas acontecem com quase todo mundo ali. Diante dos grafites em cirílico de 1945, o silêncio: ver a caligrafia dos soldados soviéticos preservada na parede deixa as pessoas paradas. E há a virada de expectativa, quem entra achando que vai só subir num prédio do governo sai entendendo que esteve no coração da democracia alemã.

A visita à cúpula é gratuita, mas exige registro prévio pelo site do Bundestag. Na inscrição você informa nome completo e data de nascimento de cada visitante, e na entrada todos a partir de 16 anos apresentam documento oficial com foto (passaporte ou carteira de identidade); cópias não são aceitas. Chegar sem reserva normalmente significa não entrar, embora o centro de visitantes ao lado libere algumas vagas para o mesmo dia quando sobram, com pelo menos duas horas de antecedência. A cúpula abre todos os dias das 8h à meia-noite, com última entrada às 21h45. O terraço tem vista para o Tiergarten, o Portão de Brandemburgo e o skyline do centro.

O Käfer Dachgarten

No topo funciona também o restaurante Käfer Dachgarten, aberto ao público com café da manhã, almoço e jantar. A reserva é separada, feita com pelo menos 48 horas de antecedência e com os mesmos dados de identidade, e dá acesso direto à cúpula e ao terraço. O tempo mínimo que recomendamos para cúpula mais terraço é de uma hora e meia, sem pressa.

Quando ir, e como evitar a multidão

Berlim não tem uma estação ruim para visitar o Portão e o Reichstag. O acesso externo ao Portão é sempre livre, e a cúpula funciona o ano inteiro, com fechamentos pontuais para manutenção que o Bundestag publica com antecedência (nesses dias o terraço continua aberto). O que muda é a densidade de pessoas.

Os horários de menor fluxo na Pariser Platz são antes das 8h30 e depois das 19h. No verão, a luz da tarde de Berlim dura até quase as 22h, o que cria janelas fotográficas excelentes no fim do dia. No inverno, o Portão ao amanhecer, por volta das 8h, com geada no chão e pouca gente, é uma das imagens mais bonitas que a cidade oferece.

Para a cúpula do Reichstag, as vagas das primeiras horas da manhã são as mais disputadas e esgotam logo na alta temporada, em julho e agosto. O registro abre com cerca de três meses de antecedência, e reservar cedo deixa de ser opcional se a viagem estiver planejada para esse período.

Um visitante independente navega esses detalhes por conta própria. Dentro de um roteiro que desenhamos, cuidamos da lógica de horários, do registro da cúpula e da sequência entre os dois pontos para que o dia não vire um exercício de logística.

O acesso que a VA organiza (cúpula no horário certo, amanhecer no Portão)

Há uma diferença entre visitar o Portão de Brandemburgo e entender o que você está vendo. Com um guia brasileiro ao lado, alguém que viveu em Berlim e conhece a história não pelo roteiro turístico, e sim pela convivência com a cidade, os detalhes ganham textura. Por que aquele pedaço de chão tem uma cor de calçamento diferente? Por que a Quadriga está virada para leste? Por que o Reichstag ficou anos sem uso depois da reunificação?

Quando incluímos o Portão e o Reichstag num roteiro personalizado, organizamos a chegada ao Portão antes das 8h, quando a luz ainda é lateral e a praça tem poucas pessoas. O registro da cúpula fica num dos primeiros horários disponíveis do dia. E o percurso entre os dois pontos, a pé ao longo da Ebertstraße, vira uma aula silenciosa sobre como Berlim guarda suas cicatrizes.

Não vendemos passeios avulsos. O que fazemos é integrar esses dois pontos numa lógica maior de roteiro, junto com o restante do que Berlim tem a oferecer, o Bode Museum, Charlottenburg, Kreuzberg, o que fizer sentido para você. Conheça como funciona esse processo com um guia brasileiro em Berlim.

Quer visitar o Portão e o Reichstag com contexto e no horário certo?

A primeira conversa, de quinze minutos, é gratuita e sem compromisso.

Falar com a Viagem Alemanha

Perguntas rápidas

Precisa pagar para visitar a cúpula do Reichstag? Não. A visita à cúpula é gratuita. O que é obrigatório é o registro prévio pelo site oficial do Bundestag. Sem reserva, em geral não há entrada.

Como agendar a cúpula do Reichstag? Pelo site bundestag.de, com antecedência (o registro abre cerca de três meses antes, e na alta temporada os melhores horários esgotam nos primeiros dias). É necessário informar nome completo e data de nascimento de todos os visitantes, e apresentar documento oficial com foto na entrada.

Quanto tempo reservar para os dois pontos? Pelo menos três horas para fazer com calma: trinta minutos no Portão e arredores, uma hora e meia na cúpula e terraço do Reichstag, e tempo para caminhar entre os dois sem correr.

Há restaurante no topo do Reichstag? Sim. O Käfer Dachgarten funciona no terraço, aberto ao público, com café da manhã, almoço e jantar. A reserva é separada, com pelo menos 48 horas de antecedência, e inclui acesso à cúpula e ao terraço.

O Portão de Brandemburgo é visitável por dentro? O Portão não tem interior visitável no sentido convencional, é uma estrutura de passagem. A exceção é a Room of Silence (Raum der Stille), uma sala de reflexão no lado norte do Portão, aberta diariamente das 11h às 18h no verão (até as 17h no inverno), sem ingresso.

Como a VA trabalha neste roteiro

A primeira conversa é sempre gratuita, com duração de quinze minutos, para entender o que você quer desta viagem. A partir daí, o planejamento e desenvolvimento da sua viagem custa €247, valor abatível do total quando você confirma a viagem. Não cobramos taxa de consultoria: o €247 é o custo real de estruturar um roteiro sob medida, e ele some da conta quando a viagem acontece.

Veja como funciona o processo completo em como o turismo personalizado pode te ajudar, ou leia o que outros viajantes dizem em depoimentos dos nossos viajantes.

Comece com uma conversa. Quinze minutos, sem compromisso, para entender se faz sentido planejarmos esta viagem juntos. Fale conosco.

FAQ

O Portão de Brandemburgo é o símbolo mais antigo de Berlim?

Não exatamente. É um dos monumentos mais reconhecíveis, concluído em 1791, com projeto de Carl Gotthard Langhans, mas Berlim tem estruturas mais antigas. O que o torna singular é a concentração de história recente naquele metro quadrado: foi palco da divisão, da queda do Muro e da reunificação num intervalo de três décadas.

Posso visitar o Reichstag sem agendar com antecedência?

Para a cúpula, o registro online é obrigatório, e quem chega sem reserva em geral não entra, mesmo que pareça haver vagas. O centro de visitantes ao lado libera algumas vagas para o mesmo dia quando sobram, com pelo menos duas horas de antecedência, mas isso não é garantido. O caminho seguro é reservar assim que as datas abrirem, sobretudo no verão.

Qual a melhor época do ano para visitar esses dois pontos?

Não há resposta única. Maio e setembro têm clima agradável e multidões menores do que julho e agosto. O inverno traz menos pessoas e luz diferente, e o Portão com neve ao fundo é uma imagem difícil de reproduzir em outras épocas. A cúpula funciona o ano inteiro, com fechamentos pontuais para manutenção anunciados pelo Bundestag.

Crianças podem visitar a cúpula do Reichstag?

Sim, e costumam gostar da espiral de rampas, visualmente impactante mesmo para quem não tem interesse em política. O registro é necessário para todos, incluindo crianças, com nome e data de nascimento informados.

O roteiro pelo Portão e Reichstag pode ser combinado com outros pontos históricos de Berlim?

Sim, e faz sentido fazê-lo. O Memorial aos Judeus Assassinados da Europa fica a duzentos metros do Portão. A Topografia do Terror, o Checkpoint Charlie e a Ilha dos Museus estão a distâncias razoáveis. Num roteiro personalizado pela Alemanha, desenhamos a sequência considerando deslocamentos, horários de abertura e o ritmo que você quer para cada dia.

Existe diferença entre visitar com guia e por conta própria?

A visita é possível por conta própria, os dois lugares são acessíveis. A diferença está no que você entende no processo. O Portão sem contexto é uma estrutura bonita. Com contexto, é o lugar onde a Alemanha dividida voltou a respirar em 1989. A cúpula sem contexto é uma rampa de vidro. Com contexto, é uma afirmação arquitetônica sobre democracia. Para a camada mais funda, recomendamos vir acompanhado de um guia brasileiro em Berlim.

A VA inclui voos e seguro viagem no roteiro?

Não. Voos comerciais e seguro viagem nunca estão inclusos em nenhum roteiro que desenhamos. Orientamos sobre as melhores opções para o seu perfil e datas, mas a contratação é feita diretamente por você com a companhia aérea e a seguradora. Essa é uma política clara: queremos que você saiba exatamente o que está contratando.

Como é o processo para montar um roteiro com a VA?

Começa com uma conversa de quinze minutos, gratuita. Se fizer sentido seguir, o planejamento e desenvolvimento da sua viagem custa €247, abatível do valor final quando ela é confirmada. Trabalhamos desde 2014, com mais de 400 roteiros e 1.500 viajantes, todos com viagem sob medida. Veja mais em como funciona a consultoria.

Autora: Gabriella Taranto. Revisão: Rafaella Vilafranca.

Escrito por Gabriella Taranto. Revisado por Rafaella Vilafranca, fundadora da Viagem Alemanha, agência brasileira especializada em viagens sob medida pela Alemanha, Áustria e Suíça desde 2014. Horários e valores podem mudar; confirme nos sites oficiais antes de visitar.

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