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Entre áreas antigas, rotas percorridas há séculos e cidades que preservam intacta a malha medieval, a Turíngia condensa o que muitos chamam de “essência” alemã: natureza exuberante, patrimônio histórico e uma vida cultural moldada por gigantes como Goethe, Schiller, Bach e Luther. É por isso que o estado, no coração geográfico do país, é conhecido — e volta a ser promovido — como o “Coração Verde da Alemanha”, graças ao maciço florestal do Thüringer Wald e aos parques naturais que o recobrem.
Exploramos a TurIngia em cinco eixos — Weimar e o classicismo, Erfurt medieval, Wartburg e Lutero, Parque Nacional Hainich e arte e cultura germânica — e acrescentamos outros lugares certeiros para compor esse belíssimo roteiro.
Weimar e o classicismo alemão
Falar de Weimar é falar do Classicismo de Weimar, conjunto de locais que testemunham a efervescência intelectual dos séculos XVIII e XIX, com Goethe, Schiller, Herder e Wieland no centro. O reconhecimento é oficial: “Weimar Clássica” integra a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1998, reunindo doze conjuntos, entre eles a Casa de Goethe, a Casa de Schiller, o Parque no Ilm (com a Casa Romana), o Palácio e Parque de Belvedere, a Biblioteca da Duquesa Anna Amalia e o Cemitério Histórico.


A Biblioteca Herzogin Anna Amalia, restaurada após o incêndio de 2004, continua sendo um polo de pesquisa e visitação, com foco na literatura e cultura europeias de 1750 a 1850. A instituição e a fundação Klassik Stiftung Weimar possuem museus, arquivos e parques históricos, em que o passeio pelos salões, jardins e alamedas converte-se numa aula viva de história das ideias.
Weimar é também o berço de uma das escolas de design e arquitetura mais influentes do século XX: o Bauhaus, fundado por Walter Gropius em 1919. Ainda que a escola tenha migrado depois para Dessau e Berlim, a sua gênese é weimarense, e os debates estéticos e políticos iniciais se deram no Parlamento estadual da Turíngia.

No Parque no Ilm, as sendas à beira do rio conduzem a vistas que explicam a prosa clara e a poesia concentrada de Goethe: paisagem manejada, mas nunca domesticada em excesso. Entre Belvedere, Ettersburg e Tiefurt, palácios e jardins formam um colar paisagístico que dá corpo ao ideal clássico de harmonia entre natureza, arte e vida pública.
Erfurt e o centro medieval
Capital da Turíngia, Erfurt preserva um centro histórico dos mais íntegros da Alemanha. No alto do Domberg, a dupla monumental da Catedral de Santa Maria (Mariendom) e da Igreja de São Severus domina a paisagem urbana e materializa séculos de fé e arte.

Descendo à cidade, a Krämerbrücke, uma ponte medieval com casas em toda a extensão, é ícone absoluto e, segundo o órgão oficial de turismo, a ponte mais longa da Europa continuamente edificada e habitada. Em 2025, celebra 700 anos da sua estrutura em pedra: oportunidade rara para vivenciar a ponte como “rua viva” sobre o rio Gera.

Mais ao norte do centro, Erfurt guardou um tesouro que o mundo levou tempo para redescobrir: o Patrimônio Judaico Medieval de Erfurt, Antiga Sinagoga, Mikvê e Casa de Pedra, inscrito como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2023. A Antiga Sinagoga expõe o célebre Tesouro de Erfurt, com milhares de moedas e ourivesaria dos séculos XIII e XIV; o mikvê medieval pode ser visitado com guia, permitindo compreender como judeus e cristãos coexistiam no tecido urbano medieval.
No plano biográfico, Martinho Lutero viveu aqui antes do retiro em Wartburg: estudou em Erfurt e ingressou no Mosteiro dos Agostinianos, cuja igreja e claustro continuam de pé e visitáveis, hoje sob administração evangélica.
Castelo Wartburg e Lutero
Em Eisenach, no flanco ocidental do Thüringer Wald, o Castelo de Wartburg ergue-se desde o século XI como um dos símbolos maiores da história alemã. Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1999, ele reúne camadas que vão da Idade Média cortês (com a lenda do “Sängerkrieg”) à mística de Santa Isabel da Hungria, culminando no episódio decisivo de 1521–1522: o refúgio de Lutero, sob o pseudônimo “Junker Jörg”, e a tradução do Novo Testamento para o alemão, momento fundador da língua escrita moderna no país.


A rapidez e o impacto dessa tradução — levada ao prelo em 1522 — são fartamente documentados e ajudam a entender por que Wartburg é, ainda hoje, destino de peregrinação cultural e religiosa.
Para ampliar o dia em Eisenach, vale combinar Wartburg com o Bachhaus, museu dedicado ao filho ilustre da cidade, Johann Sebastian Bach, nascido aqui em 1685 — união perfeita entre música e Reforma num mesmo horizonte.
Parque Nacional Hainich: a floresta primigênia de árvores faias
Ao norte do Thüringer Wald, o Parque Nacional Hainich preserva um fragmento raro de faiais montanos que ajudam a contar a história natural da Europa desde a última glaciação. O parque integra a série transnacional “Florestas Antigas e Primigênias de Faia dos Cárpatos e de Outras Regiões da Europa”, reconhecida pela UNESCO, e mantém para o público um dos passeios de copa de árvores (Baumkronenpfad) mais didáticos do país.
Caminhar aqui — seja por trilhas de chão, seja pelo passadiço elevado com torre panorâmica — é atravessar um laboratório vivo da ecologia temperada.
Arte e cultura germânica
Do classicismo literário ao labor científico e ao design moderno, a Turíngia funciona como uma paisagem cultural contínua:
- Em Weimar, o circuito da Klassik Stiftung Weimar amarra casas-museu (Goethe, Schiller), parques (Ilm, Belvedere, Tiefurt, Ettersburg), arquivos e bibliotecas sob curadoria que valoriza tanto a visita in loco quanto experiências digitais — inclusive com tours 360° pela Biblioteca Anna Amalia e residências históricas.
- A fundação do Bauhaus (1919), também em Weimar, é um capítulo-chave do modernismo que o visitante pode ler in situ, relacionando o ideário clássico do século XVIII com a vanguarda funcionalista do século XX.
- Em Jena, a tríade Carl Zeiss – Ernst Abbe – Otto Schott transformou a cidade em “Lichtstadt” (cidade da luz), referência europeia em ótica e fotônica até hoje, com museus, rotas temáticas e um ambiente universitário vibrante nas margens do rio Saale.

Desse mosaico resulta uma paisagem intelectual em que literatura, ciência e arte compartilham a mesma topografia e, muitas vezes, os mesmos bosques e colinas — basta lembrar que Goethe alternava o trabalho de chanceler e escritor em Weimar com caminhadas e investigações minerais nos arredores montanhosos.
Goethe e a Turíngia: onde a “Alemanha clássica” ganhou forma
A Turíngia tem um papel central na história cultural alemã porque foi aqui, especialmente em Weimar, que aconteceu um dos períodos mais marcantes do fim do século XVIII e início do XIX: o florescimento da chamada “Weimarer Klassik” (Classicismo de Weimar). A cidade atraiu intelectuais e artistas e ficou profundamente associada a nomes como Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller — um legado reconhecido pela UNESCO no conjunto “Classical Weimar”, que reúne edifícios, parques e instituições culturais ligados a esse período.
Goethe chegou a Weimar ainda jovem, em 1775, a convite do duque Carl August, e ali se tornou muito mais do que um escritor: atuou como homem público e ajudou a moldar a vida cultural e intelectual do ducado. Em 1782, mudou-se para a casa no Frauenplan, onde viveu e trabalhou por quase 50 anos — hoje um dos museus mais importantes para entender sua rotina, seu trabalho e seu universo pessoal.

Lugares na Turíngia para vivenciar o legado de Goethe
Weimar (base principal do roteiro)
- Goethes Wohnhaus (Casa de Goethe) e Goethe National Museum, no Frauenplan: residência e local de trabalho do escritor; o jardim da casa mantém, em grande parte, a estrutura do período do século XIX, ajudando a visualizar o dia a dia do grande “cosmos Goethe”.
- Goethes Gartenhaus (Casa de Jardim de Goethe), no Park an der Ilm: foi seu primeiro refúgio em Weimar (comprado pouco depois da chegada) e um “laboratório” criativo da fase inicial.
- Park an der Ilm + Römisches Haus (Casa Romana): um passeio que mistura parque histórico e arquitetura; o Römisches Haus é um ícone do classicismo local e está associado às ideias estéticas do período, com forte influência do imaginário italiano.
- Herzogin Anna Amalia Bibliothek: biblioteca histórica aberta ao público e referência europeia para a cultura e a literatura (com foco no período 1750–1850), parte essencial do legado cultural de Weimar.
- Goethe- und Schiller-Archiv: um dos pontos altos para quem gosta de manuscritos e história literária, com exposições temporárias e a dimensão “arquivística” do mito Goethe.

- Jena (Goethe e o mundo universitário)
Jena foi um centro intelectual do ducado e Goethe esteve ligado à cidade por anos, em assuntos científicos, culturais e universitários — somando, ao longo da vida, mais de cinco anos de presença efetiva na cidade. Um bom complemento é conectar essa faceta de Goethe à tradição acadêmica local (incluindo iniciativas ligadas ao Jardim Botânico e à pesquisa).
- Ilmenau e o Thüringer Wald (Goethe na natureza)
No Kickelhahn, perto de Ilmenau, está o famoso Goethehäuschen, ligado ao poema “Wandrers Nachtlied” (“Über allen Gipfeln ist Ruh…”), registrado ali em 1780. É uma das paradas mais especiais para quem quer unir trilha leve, floresta e literatura em um mesmo momento.
- Erfurt (um episódio histórico marcante)
Em 1808, Goethe esteve em Erfurt durante o Congresso de Erfurt e encontrou-se com Napoleão — um episódio que costuma aparecer em roteiros culturais porque une literatura e história europeia do período.
Florestas da Turíngia e o Rennsteig: trilhas, cumes e história na crista
O Thüringer Wald é um maciço de montanhas baixas forrado de floresta que convida a caminhadas todo o ano. A espinha dorsal é o célebre Rennsteig, caminho de crista com cerca de 169 km entre Hörschel (Werra) e Blankenstein (Saale), sinalizado em etapas “clássicas” e com logística amigável (transporte de bagagem etc.). Parcialmente fronteira interna durante a Guerra Fria, o Rennsteig tornou-se, após 1990, novamente contínuo em toda a sua extensão.
A experiência do viajante oscila entre mirantes como o Großer Inselsberg, clareiras e faiais densos, com desvios que levam a vilas onde o pilar da hospitalidade é simples e verdadeiro. Em pleno inverno, regiões como Oberhof transformam a floresta em palco de esportes de neve, enquanto na meia-estação a malha de trilhas e ciclovias permite desenhar percursos fotogênicos sobre vales e cumes.

Para muitos, é nas florestas da Turíngia que o vínculo entre literatura e paisagem ganha corpo: a concisão das formas vegetais, o desenho dos cumes e a luz filtrada pela copa parecem explicar o ritmo cúmplice de versos como “Über allen Gipfeln ist Ruh”.
Outros lugares imperdíveis (com história, ciência e curiosidades)
Ilmenau e o Goethehäuschen no Kickelhahn — Em 1780, Goethe escreveu aqui o poema “Wandrers Nachtlied” diretamente na madeira de uma pequena cabana no alto do monte Kickelhahn. A estrutura original queimou em 1870 e foi reconstruída fielmente em 1874; hoje, o visitante lê o poema em várias línguas dentro do abrigo e percorre trilhas que repetem o gesto dos clássicos: subir, observar, condensar ideias.
Jena — Para além da “cidade da luz” e de suas cátedras, há o Museu Óptico Alemão e diversas rotas guiadas que contam, passo a passo, a colaboração Zeiss–Abbe–Schott e a ascensão da ótica de precisão — um caso exemplar de como ciência industrial e paisagem universitária se fundem.
Gotha — O Castelo Friedenstein abriga o Ekhof-Theater, frequentemente apontado como um dos teatros barrocos mais antigos em funcionamento com maquinaria histórica preservada — um mergulho na cultura de corte e nas artes cênicas do período.

Saalfeld — As Feengrotten (Grutas das Fadas) ficam em Saalfeld e são famosas pela policromia extraordinária de suas camadas minerais. O local começou coo mineração de xisto de alume no século XIX, no entanto, quando a rede subtarránea fora descoberta, deu lugar a um refúgio de belezas e cores naturais. Reconhecida como uma das grutas de caverna mais coloridas do mundo. Formada por três câmaras interconectadas, onde a terceira é a mais famosa por suas luzes naturais refletidas no lago.

Altenburg — Cidade senhorial ao sul da Turíngia, é reconhecida como berço do jogo de cartas Skat, com museu e tradição viva em torneios. Uma curiosidade saborosa para quem gosta de história social e lúdica.
Dornburger Schlösser (Castelos de Dornburg) — Trio de palácios (medieval, renascentista e rococó) empoleirados sobre o vale do Saale. Frequentados por Goethe, inspiraram poemas e observações científicas tardias do poeta; os terraços de jardins e a vista sobre vinhedos oferecem um quadro perfeito da relação entre paisagem e obra.

Kochberg — A 35 km de Weimar, o Castelo e Parque de Kochberg está ligado à relação de Goethe com Charlotte von Stein e ao pequeno teatro de diletantes (Liebhabertheater), joia para amantes das artes cênicas históricas.
Conheça a Turíngia com a Viagem Alemanha
Na turingia, a literatura não paira sobre o território; ela emerge dele. O classicismo de Weimar nasce da convivência entre gabinete e jardim, entre biblioteca e parque; a lírica de Ilmenau brota, literalmente, do abrigo de madeira no alto do Kickelhahn. A Reforma de Lutero, ao encontrar guarida nas pedras de Wartburg, adquire o tempo e o silêncio necessários a uma tradução destinada a circular pelas feiras e estradas, cruzando florestas como as de Hainich até ganhar a Alemanha toda.
Esse é o segredo do destino: a paisagem explica a cultura, e a cultura dá linguagem à paisagem. Caminhar no Rennsteig, atravessar as copas de Hainich, subir ao pátio de Wartburg, atravessar a Krämerbrücke ou percorrer a alameda do Parque no Ilm são modos diferentes de ler o mesmo “texto” — aquele em que a Turíngia escreveu, e continua escrevendo, a sua parte essencial da história alemã.
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