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História, Segunda Guerra

Heiligenberg: a montanha de Heidelberg que os turistas não sobem

Anfiteatro Thingstätte no Heiligenberg de Heidelberg, com arquibancadas de pedra em meio à floresta



  1. 1As arquibancadas de pedra, com capacidade para cerca de 8.000 lugares; só ficaram lotadas na inauguração.
  2. 2A arena ao pé da encosta, palco dos “Thingspiele”, o teatro de propaganda ao ar livre do regime.
  3. 3As torres de arenito da estrutura, erguida em 1934 e 1935 pelo serviço de trabalho do regime nazista.
  4. 4O anfiteatro foi cavado neste flanco florestado do morro, local escolhido pela pseudoarqueologia do regime.
A Thingstätte no alto do Heiligenberg: um documento de pedra no meio da floresta. Os números marcam o que se vê; passe o mouse ou toque em cada ponto. Foto nossa.

Todo mundo sobe ao castelo de Heidelberg. Quase ninguém atravessa o rio e sobe a montanha em frente, e é justamente lá, no Heiligenberg, que a cidade guarda suas camadas mais estranhas: um forte celta, um templo romano de Mercúrio, dois mosteiros em ruína, uma torre de pedra grátis e sempre aberta, e um anfiteatro nazista que a cidade preserva como evidência histórica. Nós fizemos a subida em mais de uma estação, do Caminho dos Filósofos ao topo, e as fotos são dessas caminhadas.

O Caminho dos Filósofos e a subida

O passeio começa na Ponte Velha: a viela íngreme Schlangenweg sobe em ziguezague até o Philosophenweg, o mirante clássico do casario e do castelo na outra margem. Dali, trilhas de floresta levam ao topo em 40 a 60 minutos, uns 350 metros de subida. Tudo gratuito, sem bilheteria em lugar nenhum.

Celtas, romanos e mongesséc. V a.C. · celtas

O nome “monte sagrado” não é figura de linguagem. Os celtas fortificaram o cume com uma muralha dupla por volta dos séculos V a IV antes de Cristo, e trechos do valo ainda aparecem na trilha. Os romanos ergueram ali um templo de Mercúrio. 1023 · mosteirosSobre ele, monges fundaram o mosteiro de São Miguel, cuja ruína atual começou em 1023 (a fundação em 870 é registro documental, sem confirmação arqueológica). No cume vizinho, restam as fundações de Santo Estêvão e o Heidenloch, um poço misterioso de 55 metros que ninguém sabe bem para que servia.

Ruínas do mosteiro de São Miguel no Heiligenberg com paredes de arenito vermelho e arco gótico à esquerda
São Miguel: a ruína atual é de 1023, sobre as fundações de um templo romano de Mercúrio.
Torre de observação Heiligenbergturm em arenito, com escada externa e árvores sem folhas
Heiligenbergturm, 1885: erguida com pedras do mosteiro de Santo Estêvão, subida gratuita.

A Thingstätte: o que ela é, e o que não é1934-35 · o documento

No flanco do morro abre-se um anfiteatro de pedra para 8.000 lugares, construído em 1934 e 1935 pelo serviço de trabalho do regime nazista e inaugurado por Goebbels em junho de 1935, diante de uma multidão que os relatos situam entre 15 e 20 mil pessoas. Fazia parte do movimento “Thingspiel”, o teatro de propaganda ao ar livre que o próprio regime abandonou já em 1936, quando percebeu que o rádio propagandeava melhor. A escolha do local explorou o passado “místico” do morro, pseudoarqueologia a serviço da ideologia.

Hoje o lugar é monumento tombado, de acesso livre e gratuito, preservado como documento do que a manipulação foi capaz de construir, não como herança a celebrar. É um dos passeios mais estranhos e instrutivos da Alemanha. As festas espontâneas de Walpurgisnacht, que reuniam milhares ali em 30 de abril, estão proibidas desde 2018, com interdição policial confirmada nos últimos anos.

Thingstätte de Heidelberg vista do topo da arquibancada no inverno, com a escadaria central descendo até a arena circular
Do topo da arquibancada, em fevereiro: a escadaria central desce até a arena circular, fechada ao fundo por um corpo baixo de pedra. Foto nossa.

Como fazer o circuitohoje · trilhas livres

A pé: Ponte Velha, Schlangenweg, Philosophenweg e trilhas até a Thingstätte, os mosteiros e a torre; circuito de meio dia, gratuito. De carro: estacionamento trilheiro via Handschuhsheim. De ônibus: linha 38 sazonal aos domingos e feriados de verão; confirme o horário vigente na VRN. Leve água; não há estrutura no topo.

Combina com: o guia completo de Heidelberg e o Castelo de Heidelberg, do outro lado do rio.

Heidelberg além do cartão-postal

Nos nossos passeios guiados em português por Heidelberg, o Philosophenweg e o Heiligenberg entram no roteiro de quem quer a cidade inteira, com a história contada sem atalhos, incluindo a parte incômoda. Se Heidelberg for parte de uma viagem maior, conheça os passeios guiados que oferecemos pela Alemanha.

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Dúvidas frequentes sobre o Heiligenberg

Precisa pagar para visitar?

Não. Trilhas, ruínas, torre e Thingstätte são de acesso livre e gratuito, sem bilheteria.

O que é a Thingstätte?

Um anfiteatro ao ar livre construído pelo regime nazista em 1934 e 1935 para espetáculos de propaganda. Hoje é monumento tombado, preservado como documento histórico.

A subida é difícil?

É íngreme: 40 a 60 minutos e uns 350 metros de desnível desde a Ponte Velha. O Schlangenweg é o trecho mais puxado.

Vale para quem tem pouco tempo?

Com meio dia livre, sim; com menos, priorize o Philosophenweg, que entrega a vista clássica em uma hora de passeio.

É o morro do castelo?

Não. O castelo fica no Königstuhl, na margem sul do Neckar; o Heiligenberg é o morro OPOSTO, com vista para o castelo.

O que se sabe do forte celta?

Uma muralha dupla dos séculos V a IV antes de Cristo cercava os dois cumes; trechos do valo ainda são visíveis nas trilhas.

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